Olokum_JL_2017_P_MG_5281
“Olokum, a grande mãe” – óleo sobre tela
20 de janeiro de 2018
“Ninho Cósmico” – técnica mista – 110x110cm
20 de janeiro de 2018

Título do quadro: “Lago de jade das Ykamiabas” | Técnica: óleo sobre tela | Formato: 60x60cm

Mito das Ykamiabas – valorização da mulher e do Sagrado Feminino.
As Ykamiabas (em Tupi) eram mulheres guerreiras que viveram na Amazônia – descendiam de povos de uma dinastia lunar e vieram do velho continente Asiático para o Novo Mundo por meio da ação da natureza, trabalhando por milênios na abertura de passagens, como o estreito de Bering. Elas dominaram todo o vale do Amazonas. Existia próximo às cabeceiras do rio Nhamundá, um reino formado somente por mulheres guerreiras, conhecidas como Icamiabas, isto é, mulheres sem homens. Em certas épocas do ano estas mulheres belas e guerreiras celebravam suas vitórias sobre o sexo oposto. O parceiro era escolhido por elas, sem muitas delongas e num ritual dentro do Lago Sagrado. Então, começava a grande festa, A festa da Fertilidade, que durava vários dias, durante os quais as mulheres recebiam índios da aldeia dos Guacaris, tribo mais próxima, com os quais mantinham relações sexuais e procriavam. Terminado esse período, elas abandonavam seus eleitos e se retiravam para sua moradia em um lugar sagrado, onde prestavam culto feminino à deusa Mãe-Terra e à Lua. As morenas Icamiabas presenteavam os Guacaris com os quais se acasalavam com um amuleto, o Muyraquitã (uma pedra de jade esculpida em forma de sapo) o que os faria serem bem recebidos onde o exibissem.

Essas mulheres possuíam imensa força física e política em suas mãos. Conquistavam terras e mantinham-se em isolamento. Estabeleciam relações amistosas com algumas tribos vizinhas e escolhiam seus parceiros, para que fossem fecundadas.

Ao darem à luz, se nascesse uma menina, esta permaneceria para sempre com a mãe e se tornaria também uma Icamiaba. Se o rebento fosse um menino, este esperaria o tempo do aleitamento e no ano seguinte, na festa do ritual, era devolvido à tribo do pai.

Suas tradições eram mantidas e repassadas às futuras gerações através da oralidade em forma de contação de histórias, de declamação e cantoria de poesias épicas. Assim ficaram conhecidas as Ykamiabas, as “cunhãs-teco-imãs”, mulheres doidas, temidas, ousadas, corajosas. As Ykamiabas representam o arquétipo mais puro e primitivo da feminilidade, santificavam a solidão, a vida natural, e possuíam um amor intenso pela liberdade, pela independência e pela autonomia.

Saiba mais: http://www.xapuri.info/cultura/a-forca-das-ykamiabas/